A Pedra do Raio
(Ilton Ornelas)
Passei o verão pelas dunas
Com o passo baixo no chão
O sol castigava a minha calma
E o vento, na contramão
Já vi o seu rastro na areia
Pedaço que quase ficou
Um fio fabricado com sonhos
Que o raio acendeu e apagou
Todo verão volto ao mesmo ponto
Não me canso de esperar
Aquilo que nem sei se existe
Mas insisto em procurar
Dizem que nasce num rasgo do céu
E some como assombração
Que vem como fogo, um disparo de Zeus
Que enfeitiça o coração
O mundo às vezes responde
Num truque da imaginação
Quem acha, encontra ao acaso
Sem causa, sem explicação
Tem coisa que só serve inteira
Em partes é só ilusão
Às vezes teu surgir tão raro
Se vai como areia na mão
Todo verão volto ao mesmo ponto
Não me canso de esperar
Aquilo que nem sei se existe
Mas insisto em procurar
Pedra do Raio, num rasgo do céu
Que some como assombração
Que vem como fogo, um disparo de Zeus
Quem enfeitiça o coração
